
Demônio Dez e meia da noite. Impaciência. Sozinho no chalé zapeando a TV. Tiros, mulheres semi-nuas, alienígenas, Pato Donald, tragédias e outras imagens passam rapidamente por sua retina. A viagem de férias foi planejada para ser uma segunda lua-de-mel. Em seus delírios apaixonados, o casal cogitava ir para Paris. Foram para uma linda praia do Nordeste brasileiro. Quase onze e meia e nada dela voltar. Não atende o celular. Está preocupado, mas logo vem a lembrança do olhar dela direcionado para outro homem. Horas mais cedo, no passeio no pequeno trem que passava pelos pontos turísticos da cidade. Sente um calor súbito e dor no peito. Resolve sair para procurá-la. O ciúme o faz desejar que ela tenha sofrido algum acidente. Ciúme, ciúme, eu me mordo de ciúme...
Zero S/A
Escrito por ZeRo S/A às 17h57
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Irresistível Não consegue tirar os olhos daquele corpo suado. Músculos sem exagero, mas bem trabalhados. Cabelos em desalinho, mas a barba bem feita. Sob o shorts, pernas bem torneadas, bronzeadas, ainda. Definitivamente, é uma visão agradável . Poderia ficar olhando, por horas. Mas no momento, não pode. Precisa sair da frente do grande espelho. Já estão fechando a academia.
Ady Cavalcante
Escrito por Ady Cavalcante às 21h06
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Moça Pra Casar Ele dizia que Maria da Graça não tinha graça. Ria de seus pudores, seu comportamento quase pueril. Ela não era mais virgem, aos 26 anos. Mas, às vezes, comportava-se como uma. Rafael ria dela. Ela apaixonada. E queria mudar isso. Decidiu aprender. Revistas, livros, internet. Comprou lingeries, acessórios. Foi se aperfeiçoando na arte de amar. Perdendo medos. Achando caminhos. Ele, maravilhado com sua “criação”, se divertia. Mas Gracinha via-o cada vez menos. Sofria. Perderam-se de vista. Até que um dia, ela soube por conhecidos, que ele iria se casar. Com uma moça quase pura, do interior. Ady Cavalcante
Escrito por Ady Cavalcante às 01h01
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Realidade A família toda reunida na sala. Na TV um programa de variedades. Horário nobre. Um caloroso debate sobre “mulheres frutas” acontece. Quase uma hora e meia de opiniões prós e contras com argumentos cheios de futilidade. Debate no programa e entre os telespectadores. Hora de dormir. Mais uma vez a esposa é submetida à contra gosto aos desejos de seu marido. Não satisfeito, ele vai ao quarto das crianças e bolina a enteada. Família, família, mamãe, papai, vovô, titia... ZeRo S/A
Escrito por ZeRo S/A às 20h06
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Poderosa Sempre se gabava de que na sua casa quem mandava era ela. Não tinha nenhum pudor de falar publicamente, mesmo na presença de seu marido, de que ele não apitava nada nas decisões domésticas. Dizia, jocosamente, que iria criar a associação das mulheres que mandam nos maridos. Criticava veementemente suas amigas que tinham uma postura mais passiva em relação aos cônjuges, ou seja, diferente dela. Seu marido fingia-se de morto para não tumultuar a vida conjugal, porém essa sua postura escondia outro fator: uma amante. Uma das amigas de sua mulher. A mais criticada: Você é muito banana. Para os homens te respeitarem tem que ser como eu: Poderosa. Gargalhadas. Eu tenho a força, sou invencível... ZeRo S/A
Escrito por ZeRo S/A às 13h24
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Doce Paixão Ela era o tipo de mulher que se deve deixar quieta. Todos os seus amigos diziam isso para ele. Algumas mulheres, cachorros e crianças, não se deve dar confiança. É encrenca para a vida inteira. Ele quis pagar para ver. Foi extremamente galanteador. Jantares, flores e cartões com poemas de gosto duvidoso, que ele copiava da internet. Quando confirmou que a voz do povo é a voz de Deus, pulou fora sem cerimônias. Ela fez jus a sua fama e o perseguiu. Ora uma pedinte romântica, ora uma psicopata ensandecida. O tempo passou e ele encontrou sua verdadeira paixão. A ex-amante continuou no seu pé, porém logo tomou um chá de sumiço. Pensou ele: Me livrei daquela maluca. No dia dos namorados, a sua amada recebe no trabalho, flores, uma caixa de bombons e um cartão com uma frase romântica. Flores no vaso e dois bombons a menos na caixa. O celular dele toca. Sua namorada está hospitalizada. Há risco de morte. Bombons envenenados. Seu amor, é a minha cura; É doce paixão; Ninguém segura... ZeRo S/A
Escrito por ZeRo S/A às 22h43
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(Des) Equilíbrio
Depois de muitos dias de chuva incessante, amanheceu um dia em que o sol se fazia notar por toda a sua exuberância. De repente, todo seu ser também se iluminou. Uma pequena alegria foi lhe invadindo a alma. Foi aumentando, aumentando, quase uma euforia. Os dias se passavam, mas aquele sentimento não diminuía. Ela que não sabia o que era aquilo, ficou assustada. Sempre fora uma pessoa média, mais ou menos, morna. Aquilo era demais pra ela. Suicidou-se. Para alguém que durante sua vida inteira havia sido depressiva, a felicidade seria insuportável. Ady Cavalcante
Escrito por Ady Cavalcante às 07h55
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Papo de Boteco...
Cerveja, petiscos. Papo furado. Papo cabeça. Crise financeira. Osama Bin Laden. Poderiam mudar o mundo, naquela noite. Afinal, cada um tinha a sua receita. O papo vai ficando íntimo. Olhares que se encontram, e se desviam, envergonhados. Ele diz que ela tem um sorriso encantador. Ela agradece. Elogia os seios, mal contidos pela blusa decotada. Ela enrubesce. Se querem, se desejam. Mas no momento, não é possível. O encontro, on-line, o boteco, virtual. Cada um no seu canto, duas webcams, dois copos, dois corpos. A internet fez o mundo ficar menor. Mas a distância entre eles ainda é imensa. Ao menos, geograficamente.
Ady Cavalcante
Escrito por ZeRo S/A às 01h56
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Decisão
O caso extraconjugal já dura há um ano e meio. Quarentão; casado há 12; três filhos. Encantou-se com juventude dela. Tudo corria muito bem até o momento que ela lhe deu um ultimato: Ou sua família ou eu. Ele ganhou um pouco de tempo dando-lhe presentes que ficavam cada vez mais caros. Vivia tenso. A esposa começou a desconfiar. Happy-hour: Tomei uma decisão. Ficarei com você. Para finalizar a noite, namoro a luz do luar em um namoródromo da cidade. Como na primeira vez. Ele demorou três minutos estrangulando-a até a morte. Uma lágrima caiu do olho esquerdo dela. O corpo ele deixou rolar pelo morro até se perder entre a vegetação. Situação resolvida.
Acabouuuu....
ZeRo S/A
Escrito por ZeRo S/A às 23h46
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Apocalipse Now
Em briga de torcidas uniformizadas garoto é espancado até a morte. Ex-marido seqüestra e assassina mulher por não se conformar com a separação. Na escola menina esfaqueia colega por causa de um esbarrão. Segurança de loja baleia cliente na cabeça, pois este parecia suspeito. Pai e madrasta matam e esquartejam meninos que atrapalhavam o romance do casal. Neto martela a cabeça de senhora que não lhe deu dinheiro para comprar drogas. Adolescente abandonada pelo namorado e pela família deixa filho recém-nascido em lixeira para morrer. Policias metralham carro suspeito e menino de três anos morre baleado... Irmão matando irmão. E tudo transmitido pela televisão.
This is the end, Beautiful friend, This is the end...
ZeRo S/A
Escrito por ZeRo S/A às 01h25
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Show de Bola
Desde o namoro, sabia que ele era doente, fissurado pelo time. Uniforme completo, bola autografada pelo goleiro, canecas, meias, toalhas, tudo... Ele sempre dizia que o time era sua maior paixão, a lealdade ao time acima de tudo. Ela aceitava, mas achava que um dia estaria em primeiro lugar. No aniversário de um ano de casamento, não comemoraram. Era final de campeonato. Ela passou por cima disso também. Só não aceitou quando soube de uma sirigaita do trabalho. Traí-la ele podia, ao time, não? Continuou com a vida de sempre. Mas de vez em quando ele notava em seu rosto um sorriso indecifrável. Ele jamais poderia imaginar que a maior vingança da sua esposa era dar pra quase toda a torcida adversária. Com discrição. E como ele sempre dizia do time do coração “com classe, com categoria”.
Ady Cavalcante
Escrito por Ady Cavalcante às 13h34
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Eleições
Nas ruas, vários cartazes espalhados. Propaganda proibida de um candidato advogado que promete fazer cumprir as leis deste país. O carro de som passa em frente a um hospital. Toca, em volume insuportável, o jingle de uma candidata que promete melhorias para a saúde. O candidato ligado à educação dá aula de cidadania às avessas, distribuindo cestas-básicas, em troca de votos, em uma favela. O artista popular, que surra a esposa, faz campanha direcionada ao eleitorado feminino. O religioso usa em vão o nome de Deus, para pedir votos ao seu candidato. Todos são eleitos para trabalharem em prol do povo.
O sol nasceu pra todos e também para você, vote...
ZeRo S/A
Escrito por ZeRo S/A às 14h47
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Precisa-se
Precisa-se de funcionários para apoiar placas de propaganda em substituição de postes e muros. Deseja-se que os candidatos sejam homens ou mulheres jovens que possuam pouca instrução e pouca cultura. Que não tenham completado os estudos, que não gostem de ler, que sejam analfabetos políticos e consumistas crônicos de marcas falsificadas famosas. Que sejam desprovidos de senso crítico e de ambição. Mulheres carnudas têm preferência, pois agregam valor atrativo às placas. Os interessados dirijam-se à sede de nossa empresa. Não é necessário trazer currículo e nenhum tipo de documento. Salário compatível com o cargo.
A cidade não pára, a cidade só cresce, o de cima sobe e o de baixo desce...
ZeRo S/A
Escrito por ZeRo S/A às 14h39
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Surpresa
Chegaram da festa bem tarde. Um pouco alcoolizados e bem cansados. Trocaram-se e logo foram dormir. Concha. Antes do amanhecer ela acorda. Ainda um pouco bêbada de sono e do álcool. Sente a rigidez dele contra a sua bunda. Tesão. Suaves reboladas para acordá-lo. Percebe o seu despertar quando ele aperta suavemente seu seio. Ela empurra com força seu corpo contra o dele. Muito tesão. Muita vontade. Muita força. Ela pressente o que acontecerá. Sua calcinha é deslocada até a altura de suas coxas. Percebe que ele se lubrifica. Saliva abundante e viscosa. Ela sabe o que irá acontecer. Sente receio, mas isso a deixa mais tesa. Vai sendo penetrada lentamente. A dor inicial dá lugar ao prazer. Já sabia lidar com essa situação, então se masturba. Ele morde seu ombro e depois de algumas estocadas com força, goza. Um silencioso urro sai de sua boca. Ele a agarra com força e fica dentro dela por um instante. Embriaguez de álcool, sono e prazer.
ZeRo S/A
Escrito por ZeRo S/A às 23h37
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Sem Destino
Rua Aurora. Centro velho de São Paulo. Demolição. E agora, uma obra grande. Talvez uma das últimas da região, já saturada pelo mercado imobilário. Dia desses apareceu um vira-latas, faminto. Os peões da obra o adotaram. Era o mascote, o xodó. A lembrança vaga da família de alguns que estavam longe dos seus. Traz um pouco de aconchego àquele ambiente tão inóspito de trabalho. Alguns meses se passam. Um a um, os trabalhadores vão voltando a suas casas. Menos um, que já não tem família nem destino. Ele, tal qual o cão, vai para onde o destino o levar.
Ady Cavalcante
Escrito por ZeRo S/A às 13h44
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BRASIL, Sudeste, GUARULHOS, JARDIM BANDEIRANTES, Homem, de 36 a 45 anos, Portuguese, English, Esportes, Arte e cultura MSN - jrosasil@hotmail.com
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