
Mutação
Assim que pôs os pés no aeroporto de Salvador, a transformação se iniciara. Era de novo uma mulher poderosa, de olhar confiante, andar seguro. Chegou ao hotel, vestiu seu abadá e foi pra folia. Beijo, muito beijo na boca. Beijo molhado, de língua. Em seu corpo sarado, malhado na academia não havia espaço para o não. Tornara-se território público. Bebida, lança-perfume e às vezes até cigarro, que normalmente odiava. Era sua libertação anual. No Carnaval valia tudo. Euforia. Frenesi. Cinco dias de alegria sem limite. Dia de voltar. Aeroporto Internacional de Guarulhos, Cumbica. Retorno à vida de executiva comedida e ponderada. Pelo menos até o ano que vem.
Ady Cavalcante
Escrito por ZeRo S/A às 04h04
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Fim de Festa
A mãe lhe recomendou juízo. Ele sorriu e deu-lhe um beijo carinhoso. Pegou alguns caronas. Encontrou o resto da galera em uma casa noturna. Comemoração do seu 22º aniversário. Balada embalada por música eletrônica. Uísque e energético. De presente, três amigas. Trocou beijos e amassos com três amigas, ao mesmo tempo. Tudo é festa. Tudo é farra. Sem culpa. Sem compromissos. Vinte e dois anos!? Como aconteceu? / Um filha-da-puta de um bêbado, drogado. Continuação da festa com uma das amigas. Alguém dirigindo em alta velocidade. Alta madrugada. Atravessou o sinal vermelho. Bateu em cheio no lado do motorista. É revoltante. Ele morreu na hora. / E a menina? / Quebrou a perna em dois lugares. O socorro chegou rápido, porém tarde. E o cara do outro carro? / Só arranhões, o desgraçado. / O corno tá por aí dirigindo./ Que palhaçada! Esse país é uma piada...
Carrão da porra, tu pisava ele voava / Tu freava ele ancorava, e eu lá dentro a me debater
ZeRo S/A
Escrito por ZeRo S/A às 00h39
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