
É Um Real
Farrapos humanos. Molambo de gente. Gritando, andando pelos corredores do trem, oferecendo de tudo. Tudo mesmo. Caneta, cola-tudo, lanterna, walkman, pilha, chiclete, bala de goma, refrigerante, cerveja. Quase tudo a um real. Crianças de seis anos que deveriam estar brincando em casa, velhinhos que deveriam estar mimando seus netos, adultos frustrados e desiludidos.Gente “feia”, malcheirosa. E a cada parada, o medo do “rapa”. Parece outro mundo. Mas não é. Quando desço do trem respiro convulsivamente. Como quem acorda de um sonho ruim. Moça, me dá uma moeda? Estou acordada. Amanhã será tudo igual. Infelizmente.
Ady Cavalcante
Escrito por ZeRo S/A às 15h33
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