Peculiaridade
O amor, feito trepadeira, invadiu, tomou conta do muro de seu coração. A princípio resistiu, valente. Mas Jurema era a dona de seus pensamentos. Da hora que acordava até o fim do dia. Comprava alface todo dia, só pra vê-la, na quitanda. Dera agora até pra fazer verso. Todo domingo, à meia noite, deixava um em sua porta. Coragem pra falar, cadê? Jurema tava gostando da brincadeira. Sabia que era ele. Assim que ele se afastava, ela pegava o envelope. Lia e relia. Sabia desde o princípio. Seus olhos gritavam de tanto amor. Mas ela queria ver aonde ele chegava. Não gostava de homem frouxo.
Ady Cavalcante
Escrito por ZeRo S/A às 00h22
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