Semáforo
Sua mente estava alienada ao que acontecia ao seu redor. Dirigia seu automóvel de forma veloz e brutal. O rádio arrotava uma música violenta e rápida, onde se podiam captar frases de insatisfação e tristeza. [ Era verdade que eu não poderia me considerar a melhor pessoa do mundo, mas ter de passar por tanto menosprezo, deixou-me em um estado emocional altamente abalado. Aquelas palavras soaram como marteladas mortais para o desmoronamento do meu ego. Senti-me e me sinto como o mais imundo, o mais desprezível ser do universo. Tudo isso, somente porque cometi uma falha ]. Lá na frente, naquela avenida de alta velocidade onde ele trafegava, podia-se ver o sinal vermelho do semáforo indicando de forma persistente e convincente de que era momento de parar. Havia perigo, havia morte. Não era permitido desobedecer aquele sinal. [ Gostaria de morrer neste exato momento. Uma morte lenta, pela qual pudesse sofrer bastante dor. Se possível, toda a dor do mundo ]. Uma frenagem brusca foi efetuada. Pneus soltaram gritos horríveis, expressando a dor que sentiam naquele momento. Transeuntes atônitos olhavam e buscavam uma explicação que pudesse deixar lúcidos os motivos daquele ato. [ Sou imensamente covarde. Sou extremamente imbecil. Ninguém vai compreender, pois não podem...]. O aviso da morte foi respeitado, um tanto quanto arrogantemente, mas foi. Agora o sinal de passagem foi dado e o veículo volta a se locomover velozmente.
Eu queria ser, como uma criança, cheia de esperança e feliz....
ZeRo S/A
Escrito por ZeRo S/A às 02h42
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