
Tudo Jóia
Morava na minha rua desde quando eu me entendia por gente. Tudo Jóia era seu nome. Pelo hábito de sempre cumprimentar a todos dessa maneira. Ouvi rumores sobre uma família que ele teria abandonado. Fico minutos olhando pra aquele homem. Ou para o que um dia tinha sido um homem. Tento imaginar onde se faz a fronteira entre sanidade e loucura. Pode acontecer com qualquer um. Ele percebe meu olhar, e com um sorriso de dentes ausentes, mas cheio de ternura, me pergunta: “Tudo jóia, menina?” Ady Cavalcante
Escrito por ZeRo S/A às 00h09
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