Restos
Bateria de testes. Dinâmica de grupo. Muita esperança por parte dele. Tem todos os requisitos para preencher aquela vaga. Oito meses enviando currículos. Fichas em agências de emprego. Cadastro na internet. Inúmeras entrevistas. Sente que sua busca chegou ao fim. Faz planos para sua nova vida. Na sala de espera, ele e mais sete adversários. Somente duas vagas. Ninguém conversa. Não há troca de olhares. Mãos suando. Frio na barriga. Dedos cruzados. Finalmente a selecionadora chega e anuncia os escolhidos. Para ele não foi desta vez, mais uma vez. Manteremos sua ficha nos nossos arquivos e surgindo uma vaga entraremos em contato. Sua voz quase não sai. Tudo bem, obrigado. Vontade de chorar. Afrouxa a gravata como se isso fosse aliviar o nó da sua garganta. A volta pra casa é angustiante. Sabe que não terá o carinho da mulher. Ela está bancando a casa. Ditando as regras. Ele sente que ela não o vê mais como homem. A filha de 05 anos prefere os desenhos animados da tv a brincar com ele desde que percebeu que não ganharia uma nova boneca. Teria a companhia do cão, que como ele, ultimamente tem vivido de restos.
Eu não sou cachorro não, para viver tão humilhado.
ZeRo S/A
Escrito por ZeRo S/A às 00h29
[]
[envie esta mensagem]
|