Incapaz
Incapaz, incapaz, incapaz...
É o que ouço da minha mente
Em um eco infinito.
Se quiser, minto.
Se quiser, finjo.
Mas não consigo.
Não mais acredito.
Não mais tenho fé.
Essa vida às vezes é tão sem graça.
Tão errada.
E só fui feliz quando errei.
Quando me desfiz
Da minha máscara virtuosa,
Da minha capa imaculada.
Quando enganei
Foi quando acreditaram em mim.
Quando digo que lhe amo
Ela só me olha.
Olha e não me vê
Ou vê e não crê.
A vida é bela,
Mas agora sou incapaz de contemplar sua beleza.
Agora sou a verdade que morre feto.
Abortada pela insensibilidade.
Jogada na lata de lixo.
Alimento para os mendigos
Que têm fome de amor.
Quem me ama, ama-me incorretamente.
Só com o coração.
Para amar é preciso muito mais...
Não se pode esquecer o corpo, a alma, a mente...
Mente quem diz que me ama.
Mente porque faria qualquer coisa para me ter.
Qualquer coisa para meter comigo.
Para eu meter consigo e ninguém mais.
Incapaz, incapaz, incapaz...
Queria ser capaz de acabar com essa minha incapacidade.
Incapacidade de ser capaz de acertar o alvo
Que muda a cada mira que faço
Laço que me prende na escuridão
Na falta de luz que é o saber.
Saber que o que vejo é miragem. Não oásis.
Que vou morrer de sede
Porque a fonte de vida que são os lábios da mulher desejada,
Distante, muito distante dos meus estão.
(continua)