Distrato
Tudo conforme o combinado. O carro preto, reluzente, havia parado uns dez metros à sua frente, num trecho mal-iluminado da rua. De dentro, salta o mascarado. Ela esboça uma reação, quase teatral, mas ele a joga dentro do carro. Em segundos está amordaçada. Mas... algo estranho... a mão, a mão do homem, ela não a conhece. Aquele homem realmente é um desconhecido. Não é seu namorado!!!
Tentou gritar, mas a mordaça abafou todo e qualquer ruído. Tentou se mover, mas as cordas não deixavam. Suas pernas batiam na tampa do porta-malas, e seus joelhos sangravam. Tentou raciocinar, mas não havia oxigênio suficiente em seu cérebro!
Só podia chorar, e foi o que fez... um choro silencioso, feito de lágrimas e desespero.
Foi arrancada de seu choro... o carro parou!
Ouviu o porta-malas ser aberto. Sequer ousou respirar naquele minuto. Ou nos quinze minutos seguintes. Quando criou coragem, chutou violentamente, e sentiu uma rajada de ar fresco. Estava livre. E confusa. Teriam-na confundido com uma ricaça em um seqüestro? O namorado quis dar realismo às suas fantasias? Não sabe. Agora só grita. E espera que não demore muito pra que alguém a encontre.
De repente, passos! Graças a Deus! Olhou em volta... nada nem ninguém até onde sua vista podia alcançar... exceto aqueles dois olhos... e aquela faca!
Antes de morrer, ainda sentiu o maldito penetrando-a...
Ady Cavalcante / Moacir Caetano
Escrito por ZeRo S/A às 03h19
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