
Última Dose
Abre os olhos com dificuldade. Um tambor distante e insistente no cérebro. Não!!! De novo, não!!! Acorda e olha em volta. Outra vez está num lugar estranho. Lentamente passeia o olhar semi-cerrado pelas roupas - suas e de outra pessoa - jogadas pelo chão do quarto. Sabe-se nua e sente-se irremediavelmente envergonhada. Compreende que bebeu demais, mais uma vez. Já devia ter parado. Devia ao menos ter diminuído. Mas não consegue. Veste-se o mais rápido que pode, enquanto o homem cujo rosto ela nem quer ver dorme profundamente. Está decidida. Não vai mais beber. Isto é, só na próxima sexta, que é uma festa muito esperada. Depois de sexta ela para. Com certeza.
Ady Cavalcante
Escrito por ZeRo S/A às 20h39
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