Era boa pessoa, mas era louco. Comprovadamente. Havia sido internado e tudo. Não teve jeito. A família desistira de cuidar dele. Morava num barraquinho ao pé do morro, que subia religiosamente, todos os dias, de bicicleta. Enquanto houvesse sol. E a cada descida, trazia, na garupa, sacos de terra. Num monólogo rápido e quase incompreensível, dizia que eram desígnios, ordens divinas. Tudo isso não era de se espantar. O que espantava era sua mulher. Uma mulher de beleza comum. Mas que parecia ter um brilho extraordinário nos olhos, que a tornava especial. E ela nada tinha de louca. Ainda hoje me pergunto: será que ela era louca e ninguém percebia? Ou será que era pura e simplesmente amor?
"Esse imenso, desmedido amor vai além de seja o que for..."