
Indizível
Ele me telefonara, altas horas. Pra variar, havia terminado mais um namoro. “O que você tá fazendo agora?” me perguntou. “Nada” eu disse. Então peguei o carro e fui até sua casa. Amigos são pra essas coisas. Ele estava “down”, sem fazer a barba há dias. Sentei no sofá e ele se jogou no meu colo. Ficamos em silêncio. Alguma coisa estava no ar. Algo diferente. E quando me dei conta, estávamos nos beijando. Um beijo faminto, longo, sem pressa, nunca imaginado. Pelo menos não por mim. Isso acontecia com todo mundo, mas nunca pensei que pudesse acontecer conosco. Amigos de infância. Foi coisa de alguns minutos. Nunca falamos sobre o assunto. Nunca repetimos o beijo. Mas o gosto desse beijo nunca saiu de minha boca. Nem mesmo hoje, quando ele contou feliz que vai se casar.
Ady Cavalcante
Escrito por Ady Cavalcante às 10h22
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