Sem Volta
Até a semana passada o ritual se repetia. Conversas frenéticas e picantes no MSN, e-mails detalhados sobre as afinidades. Mensagens de texto piegas no celular. Telefonemas de bom-dia, de bom apetite, de boa-tarde e de boa-noite. Apelidos carinhosos. Amassos na cozinha, lavando a louça, enquanto os amigos esperam na sala. Presentes fora de data. Seqüestros no meio da semana, pra matar a saudade. Planos. Muitos planos. Mas, há alguns dias sua caixa de e-mails não tem nenhuma mensagem nova. O celular já não vibra. Nem durante a reunião chata - com uma mensagem dizendo "te adoro!" - nem depois. O telefone de casa, em um silêncio ensurdecedor. Na cabeça, martelando, a promessa que ambos fizeram de não haver ressuscitação, caso a paixão tivesse um súbito colapso.
Se tudo tem que terminar assim, que pelo menos seja até o fim, pra gente nunca mais ter que terminar...
Ady Cavalcante
Escrito por ZeRo S/A às 21h20
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