
Isto Não Me Pertence
Há exatamente um semestre, eu caminhava por uma rua próxima de minha casa, quando ouvi o barulho de disparos de arma de fogo. Uma moto. Dois ocupantes. Homens jovens. Ao meu lado, uns dois metros, um corpo inerte caído na calçada. Fiquei paralisada. Pessoas horrorizadas ao redor gritavam. Outras, apáticas, continuavam com sua rotina. De repente, senti uma forte dor na perna direita. Algo quente escorria por ela. Desmaiei. Recuperei os sentidos em um hospital. Meu esposo e minha filha ao pé da cama. Os médicos tentaram tirar a bala, porém desistiram. Eu poderia perder boa parte dos movimentos do membro ferido. Hoje vivo com ela dentro de mim. Às vezes ela esquenta. Parece se mexer. O doutor diz que isto é normal, mas acho que ela quer sair. Tenho a impressão de que ela sabe que não deveria estar em mim. Que cometeu um erro. Que seu destino era outro.
Pipoco, pipoco, para todo lado que eu olhe, pipoco, pipoco, para todo lado...
ZeRo S/A
Escrito por ZeRo S/A às 12h11
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