
Assistência
Todo domingo tinha arrasta-pé na vila. Damiana ia com o marido, que não sabia dançar. Mas que ficava de olho enquanto ela dançava com os vizinhos. Não ligava quando ela dançava com Biro, porque todos os homens achavam que ele não era chegado. Mas as mulheres sabiam que não era bem assim. Ele só era mais... sensível. E quando eles dançavam, ela sentia. Ele não falava nada, mas o corpo dele dizia: "Ah, se tu fosse minha..." E ela ia perdendo a cabeça, pensando naquele olhão azul. Até que um dia, perdeu a cabeça de vez. Largou o marido e foi atrás do Biro. Sorrindo docemente, ele disse: "Ô mulher, volta pro teu marido. Eu não sei ser de uma só, não. Mas se ele não der conta, eu posso até te dar uma assistência."
Ady Cavalcante
Escrito por ZeRo S/A às 22h19
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