Hipermercado das Indelicadezas
Um sábado qualquer, primeiras horas do dia. Adentro o hipermercado. Afinal de contas, nem só de cultura, arte e poesia vive o homem. Caminho em direção ao local onde se pede o pão. Algumas pessoas à minha frente. Entre elas uma mulher. Sexagenária. - O próximo... - O próximo, por favor... A fila anda... A mulher sexagenária... seu pedido seria o próximo. - Quero... - "Agora é minha vez!”. Seu pedido fora interrompido inesperadamente e radicalmente por uma "moça" que alegava ter chegado antes dela e saído por alguns instantes. - Mas, moça, já tinha iniciado o meu pedido e a fila é curta. Você pode esperar alguns minutos... - Não posso não... vou pedir agora, falava e esbravejava a "moça". E assim o fez. Mesmo diante dos olhares de reprovação das pessoas que ali se encontravam. Inclusive o meu. Peguei o meu produto de consumo e saí. Corredores... gôndolas... Inúmeros produtos, embalagens, rótulos... Incontáveis formas, cores...Design exposto em tudo, para todos e a céu aberto. O caixa está vazio. Logo depois da minha chegada, surge uma senhora, também sexagenária. Depois dela, chega "a moça"... a mesma que fora grosseira e indelicada instantes atrás. Ela me olha e me reconhece. – Você tem poucos itens para passar e eu tenho vários... pode passar na minha frente...assim diz a mulher, a sexagenária. Foi impossível não direcionar os olhos para a cena. O constrangimento se instalou naquela "moça" de forma abrupta, explícita e inevitável. Peguei o meu troco e segui meu caminho, pensando: "as coisas mais simples, para alguns, são as mais complicadas".
Roy Andrade
Escrito por ZeRo S/A às 14h38
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