Olhos
Daqui, de minha varanda, eu via a chuva chegar, de mansinho. Pegando os transeuntes de surpresa. Pessoas arrumadas, indo para o trabalho. Meninas em flor, indo encontrar seus meninos. Ou meninas, não sei. Via as mangas verdes, tornando-se maduras, prontas para serem mordidas. Via os pássaros, de passagem, fazendo arruaça. Via o bêbado incomodando no boteco do lado, desejando feliz natal em pleno janeiro. Via os amigos chegando, beijos e abraços nos lábios, sorrindo. Hoje não vejo nada. Só ouço e lembro. E espero que o doutor me diga o que eu tenho. E quando voltarei a ver novamente. E espero. E espero...
Ady Cavalcante
Escrito por ZeRo S/A às 01h01
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