Poeira
Ao passar nas ruas, sente o cheiro do cimento, seco. Poeira seca goela adentro. Há dias não chove na cidade. Gostaria que a chuva que teve, um dia, dentro de si, molhasse um pouco a terra. Gostaria de conseguir chorar. Mas desaprendeu há muito. Numa época longínqua em que parou de acreditar nas pessoas. Parou de se indignar diante de injustiças. Parou de se comover ao ver um menino dormir na rua. Não se choca mais ao ver meninas seduzindo adultos. Gostaria de saber onde foi que se perdeu. Pois agora, só o ar seco o incomoda. Ady Cavalcante
Escrito por ZeRo S/A às 15h55
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