Desde o namoro, sabia que ele era doente, fissurado pelo time. Uniforme completo, bola autografada pelo goleiro, canecas, meias, toalhas, tudo... Ele sempre dizia que o time era sua maior paixão, a lealdade ao time acima de tudo. Ela aceitava, mas achava que um dia estaria em primeiro lugar. No aniversário de um ano de casamento, não comemoraram. Era final de campeonato. Ela passou por cima disso também. Só não aceitou quando soube de uma sirigaita do trabalho. Traí-la ele podia, ao time, não? Continuou com a vida de sempre. Mas de vez em quando ele notava em seu rosto um sorriso indecifrável. Ele jamais poderia imaginar que a maior vingança da sua esposa era dar pra quase toda a torcida adversária. Com discrição. E como ele sempre dizia do time do coração “com classe, com categoria”.