Inferno

Fim de ano. Comboios vão chegando. Vindos de todas as partes. Homens, muitas mulheres, jovens e crianças nada inocentes. Lentamente vão ultrapassando as cancelas do estacionamento já lotado. A cada passagem, uma voz mecânica, e cordial repete: Seja bem-vindo. Todos procuram inutilmente uma vaga para estacionar. Impaciência. Buzinas. Irritação. Xingamentos e blasfêmias. Os felizardos que chegaram mais cedo circulam, com dificuldade, pelos corredores lotados de consumidores implacáveis. Esbarrões e cotoveladas.Tanta gente que o ar-condicionado não dá conta. Parece até estar desligado. Em frente às vitrines, muitos se amontoam para apreciarem seus desejos de consumo. Dentro das lojas, mercadorias são disputadas, sem nenhuma cortesia. Gastança sem controle. Cartões de créditos luxuriosos são introduzidos em maquininhas voluptuosas. A cada transação aceita, um gozo duplo e simultâneo. Poucos estão arrependidos de estarem ali. A maioria se farta, se nenhum arrependimento, e vão enchendo suas sacolas de pecados capitais.

ZeRo S/A



Escrito por ZeRo S/A às 17h28
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