Eterno Retorno

A filha caçula, a mais mimada, há muito tempo o perturbava com o desejo de ter um celular. Não um qualquer, mas um modelo que a maioria das suas amigas tinha. O dinheiro andava curto. Nem as dezenas de horas extras mensais estavam ajudando. A adolescente não compreendia a situação financeira do pai, e brigava com ele, acusando-o de não amá-la, pois a deixava passar vergonha perante as colegas por não ter o tão desejado objeto de consumo. Essa situação o deixava com o coração apertado. Na empresa onde trabalhava, um amigo seu tinha um amigo que arrumava o que quisesse em relação a aparelhos eletrônicos e afins, e por um bom preço, super em conta. Fez a encomenda. Muito barato. Somente 20% do preço de mercado. Um ótimo negócio. A filha, radiante, voltou a amá-lo. Ele era todo contentamento. Achava que tinha cumprido o seu dever paterno. Porém, as mercadorias precisam circular para manter o mercado funcionando. A menina quis ir contra este movimento e se recusou a entregar o celular, mesmo estando sob a mira de uma arma de fogo. Argumentou: Este aparelho é minha vida! Esta ela perdeu. Tiro fatal. Negócios são negócios, e havia outros clientes a serem satisfeito.

ZeRo S/A



Escrito por ZeRo S/A às 13h22
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